sexta-feira, 7 de setembro de 2018

DEU SARAU



      O PRÊMIO RECONHECIMENTO POPULAR - uma iniciativa do amigo Brunno Vianna - foi uma ação das mais bacanas de divulgação virtual do trabalho artístico e um modo de agitar a cena cultural carioca. 

      Através de um concurso livre e democrático nas páginas do Facebook, qualquer pessoa poderia fazer as indicações dos artistas e votar. A ideia "colou" e a quantidade de pessoas indicada e votando foi muito grande. Havia várias categorias, participei de três: ativista cultural, escritor independente e livro de poesia.

      Foi bem bacana participar. Indiquei e fui indicada, votei em várias categorias. Somos todos artistas desconhecidos do grande público, muitos de nós agindo localmente. Porém, fazemos a diferença! Ações como essa nos valorizam e promovem a interação entre os artistas indicados e principalmente com o seu público. Palmas ao Brunno, que está sempre se renovando nessa e em outras ações de promoção artístico-cultural!!

      Por maioria de votos, fui agraciada com o Prêmio na categoria ATIVISTA CULTURAL. Já recebi prêmios por ser poeta, escritora, pela publicação do meu livro RASTRO DE SALAMANDRA. Mas por promover a cultura do lugar onde nasci e vivo desde sempre: a Ilha do Governador, ainda não havia acontecido. Receber este reconhecimento é importantíssimo pra mim... E vem num momento crucial. Sinto como um carinho. Sinal de que tenho muitos e generosos amigos, que votaram... sinal de que o Sarau firmou seu espaço na cena cultural insulana...

      Por que faço o Sarau? Por que comecei? Como cheguei até aqui? O que, afinal, ganho com isso? O que me motiva? Até onde irei?

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      Um pouquinho dessa história...
      Faço o Sarau do Bar desde maio de 2016. Iniciei sem grandes pretensões, só com a vontade de reunir os amigos e artistas. Fazer algo diferente e estar com a família. Desde o primeiro, porém, já deu pra sentir que outros viriam. Os amigos gostaram, artistas perguntavam quando seria o próximo. O tempo passou, o segundo veio, e outro, outro... Lancei o logotipo, fiz o banner. Eram noites intimistas de muita poesia, teatro, música, performances, exposições, stand up, lançamentos de livros, homenagens em vida. Do lado de fora do bar, aqueles que preferiam uma cervejinha e o bate-papo entre uma apresentação e outra. Dentro do bar, o público atento e muito próximo do artista. Momentos de acolhimento, valorização do artista. A preparação do evento era feito um mês antes e consumia muitas horas na internet, colhendo imagens e informações dos artistas para fazer as postagens anunciando cada participação. Foram oito saraus no barzinho da família, o Bar do Chico - meu pai (daí o nome). No último, lancei meu livro Rastro de Salamandra. Eram tantos amigos que vendi naquela noite minha pequena tiragem de 100 exemplares quase toda!

      O espaço foi ficando pequeno. Amigos sugeriram fechar a rua. Procurei uma solução e o Sarau mudou de lugar. Assim, desde dezembro de 2017 passou a ser Sarau do Bar - no Condomínio! Um apoiador apenas, mas que foi fundamental ao ceder o salão de festas do condomínio: o síndico Tito Gomes. Gratidão a ele. Mas o Sarau continuou sem patrocínio de nenhum tipo, com gastos e muito esforço. Sozinha, só com o árduo trabalho da minha família. Filhos e sobrinho sendo garçons, marido responsável por toda a preparação prévia e atuando na copa/cozinha, uma irmã fotografando tudo, outra na decoração e no suporte emocional, este último principalmente. Papai ali, na mesa da frente, aplaudindo. Sem eles nada seria possível. Investi, comprei uma nova caixa de som, microfones, pedestal etc. Era um Sarau do Bar na sua origem, precisava continuar a oferecer comes & bebes de bar. Aluguei maquininha de passar cartão de crédito e débito, comprei fritadeira, mandei fazer toalhas, comprei isopores etc A preparação se tornou muito mais trabalhosa que antes.

      Um palco! Novos tipos de artistas pude receber, com um amplo espaço para a dança, de todos os tipos. O Sarau cresceu, o público cresceu, deixou de ser só os amigos de sempre... a plateia se formou, hoje olho para todos e de muitos rostos não sei o nome! Me assustei com isso. As pessoas começaram a esperar de mim um profissionalismo que nunca quis ter... No último Sarau, há quem diga que havia umas 130 pessoas, distribuídas nas 25 mesas e espalhadas ao redor. Nunca quis tal projeção, mas ela veio e gostei de receber tantos elogios, é claro! 

      Comecei, então, a ter saudade daquele clima intimista, de acolhimento, proximidade de que falei mais acima... E algo começou a mudar em mim. Refleti, coloquei na balança, percebi que preparar o Sarau passou a não ser mais só prazer. Fui amadurecendo a ideia, ao mesmo tempo apurei os sentidos. Uma frase ouvi aqui, uma opinião ali, críticas travestidas de sugestões em alguns casos. Não que tenham me atingido, mas foram me cansando, confesso... 

      Hoje o SARAU do BAR no CONDOMÍNIO é um Sarau bimestral, artesanal, multiartístico, temático. Que busca dar espaço para os artistas já contumazes mas traz também outros que ainda não fazem parte da cena cultural insulana mais amiúde. Apresentando novos artistas, inclusive abrindo espaço para os de outros bairros. Com 6 CoNcUrSoS De PoEsIa InStAnTâNeA concluídos, um xodó meu. Com um projeto para publicar TODOS os poemas e poetas participantes do concurso num livro, uma antologia poética, num futuro a médio prazo. Tem sido inspiração para os poetas, que se acercam do tema e já chegaram a produzir poemas durante o andamento do Sarau! Amigos dizem ser referência, já apelidam de evento tradicional na Ilha do Governador.

      Nossa! Isso tudo me dá um orgulho danado... e uma gratidão muito grande a todos os incentivadores e, principalmente, aos artistas que doaram seus talentos no espaço do Sarau! Afinal, sem artistas... não há show, não há livro, não há Sarau...

      Esse PRÊMIO DE RECONHECIMENTO CULTURAL, categoria ATIVISTA CULTURAL é, portanto, para mim, muito significativo. Me faz ter a certeza de que tudo valeu a pena. Me estimula a desenvolver meus projetos pessoais que ficaram em segundo plano. Ameniza uma certa saudade antecipada que já sinto... É assim que quero me lembrar do Sarau: um tempo muito bacana na minha vida e na vida de muita gente boa por aí!

      Sim, é uma despedida. O próximo SARAU DO BAR - NO CONDOMÍNIO! será o último, a 15ª edição, um ciclo que se fecha, redondinho, ainda me proporcionando alegrias, ainda me fazendo feliz.

     Vamos nos regozijar pela existência que teve o Sarau e por todos os momentos felizes que nos proporcionou! Foram quase três anos de sucesso!  Nada de tristezas ou lamentações, portanto.

KARLA ANTUNES
ORGANIZADORA DO SARAU DO BAR - NO CONDOMÍNIO!



sábado, 28 de julho de 2018

Carlos & Henrique


DOIS JOVENS, ABSORTOS UM NO OUTRO.
A MÚSICA QUE INEBRIA OS SENTIDOS.
O SENTIMENTO QUE OS UNE EXPLODINDO NUM ENLEVO ÚNICO.
O QUE OS LIBERTA É O QUE OS PRENDE: WEIGTH

Com essa imagem e texto anunciei a apresentação deles no XIII Sarau.

Dois rapazes supertalentosos de quem virei fã. Meninos sem medo de serem felizes... Colocando na dança toda a sintonia dos seus corpos e almas... CARLOS e HENRIQUE.

Apresentaram duas coreografias assinadas por eles mesmos de DANÇA CONTEMPORÂNEA.

A primeira, impactante, intitulada "Paranoia", desenvolvida no chão do salão, por serem movimentos largos, saltos, cambalhotas, piruetas, uma mistura incrível de batida de rua com balé clássico...



A segunda, mais impressionante ainda, cujo nome é "Weight", dançada no palco, um duelo mais comedido no espaço mas mais intensificado na interação dos corpos... uma expressividade que ia além dos movimentos...



Pela minha descrição perceberam que nada entendo de dança e música... mas entendo de toque na alma, de intensidade de sentimentos, de vontade de sair dançando, tocando, vivendo o que tiver pra viver... Por isso posso dizer:

Esses dois jovens foram incríveis!

Carlos e Henrique

CRÉDITOS DAS IMAGENS: SAMARA SANTOS, FOTÓGRAFA

KARLA ANTUNES

quinta-feira, 26 de julho de 2018

PASSOS

Um dos momentos mais impactantes para mim na 13ª edição do Sarau (que ocorreu em 29/06/18) foi o que chamei, chamo e chamarei de PASSOS.

O poeta DOUGLAS FAGUNDES MURTA apresentou seu poema com o aparelho de celular em punho, o mesmo - aposto - que usou para me enviar o texto, abaixo reproduzido.

Durante o sarau, infelizmente, pela minha tarefa de organizar e conduzir, muitas vezes deixo de prestar total atenção às apresentações que ali estão acontecendo.

Mas nesse dia, quando ele declamou pela primeira vez "passos", sei lá, fiquei hipnotizada. E foi com puro deleite que ouvi todo o poema ser proferido pelo poeta do inusitado...

Gostei tanto que reproduzo para vocês saborearem e, também, para ficar o registro daquele momento mágico pra mim.

Crédito da foto: SAMARA SANTOS



PASSOS
1
Quem sou? O próprio centro da pia. Ou a marca da minha camisa. Um pouco sujo e até louco. Não.

2
Quem liga para o ensaio quando na vida o que vale é o delírio.

3
Nos dias de chuva me escondo sem modos. Procuro no canto do quarto aquele rabisco que fiz quando criança. Parece impossível?

4
Novas formas compram pão todos os dias. São pequenas e longas. Não espero muito do ser humano. Na verdade não espero muito de mim. Sei que o maior problema ainda é a fome. Contudo, vivemos uma temporada sem alma. Gente demasiadamente normal.

5
Se pensar é um sinal do bem. Tenho pena dos elefantes. Tão inteligentes na hora de matar formigas.


 PASSOS
6
Muito do que desejo já foi meu. É o caso da Lua.

7
Sonhei com pontos altos. No meio do sonho um menino corria atrás dos passarinhos e se jogava pela janela. O corpo pequeno virou um saquinho de sangue. Acordei mordido.

8
Desfilo sempre com o mesmo sorriso. Causo pouco detalhe.

9
Quando era pequeno eu gostava das fotografias 3 x 4. Hoje uma pura conta de nostalgia.

10
Nas tardes de sábado era muito comum comer nove silêncios e depois arrotar suavemente canções de protesto.

 PASSOS
11
É difícil acreditar em pessoas que adoram bichos e não ajudam crianças.

12
Duvido de tudo, mas também não encontro resposta melhor que duvidar.

13
Sofro de angústia. Um vazio profundo. Chamo de ausências. Só quem tem sabe o que estou falando. Acredito que escrever seja uma boa demonstração dessa luta interior.

14
Quem continuará depois de mim? É a verdade do descaminho.

15
Queria morrer poesia.

 PASSOS
16
Existe um mundinho bem mundinho debaixo dos nossos olhos e acima também. Quem enxerga deve escolher a ponte ou o tecido.

17
Delicioso o vento na Rio Branco um delírio brisa invasor.

18
Vejo ondas nas pontinhas dos prédios e não uso filtro solar para tanto ver.

19
Poesia é pesca de morada.

20
NAS PÁGINAS DE STELLA O GRITO CRUEL DE STANCY: LIBERTEM A EXCLAMAÇÃO

 PASSOS
21
Sou desses que escrevem no escuro. Procuro um pouco de sangue e ar fresco. Sou esse ar condicionado. A tomada longe. Fio esticado sorrindo.

22
Sinto que sou a lâmpada do corredor. Mas não há corrente. A lâmpada nova e apagada.

23
Encontro nos olhos dos outros os meus tropeços.

24
Quem registra nascimentos? Sabe de mim as piores mensagens.

25
Um homem escreveu coisas incríveis e depois me falaram que ele não era daqui. Deve ser assim mesmo. Porra nenhuma! Ele mora bem aqui nas minhas páginas.

DOUGLAS FAGUNDES MURTA

KARLA ANTUNES

terça-feira, 10 de julho de 2018

Mônica Raouf El Bayeh

Faz já quase dois anos! Foi em 16 de julho de 2016, no II Sarau do Bar, quando era na rua Haia, na Ilha do Governador.

Arrisquei um convite... e não é que ela aceitou? Fiquei tãããão feliz!

Gente como a gente... Humana, simples, inteligente, carioquíssima, mãe, psicóloga, professora, guerreira, colunista do Extra com seu blog UM DEDO DE PROSA... Sim, vcs sabem quem é ela... está no título, hehe: MÔNICA RAOUF EL BAYEH!

Só faltava ser insulana!!!



Ferina e irônica quando necessário para abordar absurdos que acontecem na nossa cidade... Doce e maternal quando se trata de consolar quem foi vítima dessa mesma louca cidade... Companheira  e guerreira quando se trata de denunciar as mazelas da prefeitura, antes na gestão de Dudu Malvadeza... Agora na do CriCri... Sobretudo em relação a nós, professores da rede municipal. Como me senti acalentada por ela, colocada no colo em 2013 e 2014, nas greves da Educação Pública! E quando o Pé Grande deixou servidores estaduais sem salário... ela foi a voz! Por tudo isso, Mônica, obrigada!!

Com vários livros publicados, muitos de poesia, Mônica é uma poeta maravilhosa! Parece tão fácil pra ela versejar!! Muito ritmo e fluência, significados e ressignificados! Amo mais que chocolate... mais que café... Mais que sex... bem, não chega a tanto rs!

Brincadeiras à parte, ou não, pois ela brinca com as palavras de tal maneira.. Mônica é alto astral, alegre, é querida de todos que têm a oportunidade de conhecê-la!!

Ela participou da inauguração do MOMENTO AUTOR, em que foi entrevistada pela minha irmã polivalente Graça Antunes.

Graça Antunes conduzindo o MOMENTO AUTOR com Mônica Raouf El Baye



(Aqui a postagem exige parênteses: dei essa tarefa a ela primeiro porque sabia que se sairia melhor do que eu... e também porque eu não sabia pronunciar o sobrenome da Mônica e fiquei com vergonha de perguntar... então deixei a Graça se virar... kkkkk fica como registro de bastidores!)

Acabou sendo um delicioso bate-papo... Mônica falou de várias coisas de sua carreira e declamou vários poemas... E autografou seus livros!

Foi inesquecível!

Vera Horn, Fátima Campilho, Brunno Vianna, Marcelo Mendes, Graça Antunes, Elisabeth Caldas,
Mônica Raouf El Bayeh, Else Emrich, Luiza Bulhões, Vera Bastos, Andrea Russo, Evandro Srocha,
Márcia Vieira, Karla Antunes, Adriano Soares e Nelilda Ormond
Muito fãs, no finzinho de sarau, todos quisemos tirar foto com a Mônica!


Fãs assumidíssimas, elas vieram pra ver Mônica Raouf El Bayeh


Acesse UM DEDO DE PROSA clicando AQUI 

KARLA ANTUNES